terça-feira, 16 de novembro de 2010

'O mundo da política, no Brasil, é um teatro'


Excelente entrevista com Fabio Konder Comparato publicada pela Tribuna do Advogado da OAB-RJ, vale a pena conferir:

Professor emérito da Faculdade de Direito da USP, Fábio Konder Comparato dedica-se, há muitos anos, a refletir sobre a ideia de Justiça e sua aplicação em nossa sociedade. Alguns desses estudos, erigidos sob a forma de artigos, discursos e conferências, estão reunidos no livro Rumo à Justiça, que acaba de ser lançado pela Editora Saraiva. Na obra, Comparato aponta contradições entre o princípio da Justiça e o sistema capitalista, e estende a análise para o campo político, sustentando que a democracia no Brasil é um embuste. "O mundo da política, neste país, é um teatro", afirma o jurista, que concedeu a seguinte entrevista à TRIBUNA.


Por Marcelo Moutinho


Dos diferentes textos reunidos no livro, depreende-se um olhar crítico para o que senhor chama de "apogeu da civilização capitalista". Por que esse momento seria radicalmente contrário ao princípio de Justiça?

Comparato - A Justiça, em seu aspecto subjetivo, é o altruísmo comunitário, isto é, o respeito ao bem comum, sempre acima dos interesses particulares. Objetivamente, uma sociedade é justa quando garante uma igualdade fundamental de vida para todos. O capitalismo é exatamente o oposto. Subjetivamente, é a busca exclusiva do interesse próprio. Sob o aspecto objetivo, é a instauração de uma desigualdade fundamental na sociedade, pois o capitalista trata os que se acham sob seu poder, notadamente os trabalhadores e os consumidores, não como seres humanos e sim como mercadorias; eles não têm dignidade, têm preço. Com a expansão mundial do capitalismo, criaram-se países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Hoje, concluída a globalização capitalista, surgiram enormes desigualdades sociais dentro dos próprios países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a crise de 2008, ainda não superada, empurrou quase quatro milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza. Eis por que afirmei haver o capitalismo atingido o seu apogeu no sentido etimológico; isto é, a sua fase de maior distanciamento da Terra (em grego, "apo - gê") e da vida.

Já na apresentação, o senhor salienta que, no Brasil, vigora uma duplicidade de ordens jurídicas: uma externa, que se harmoniza com as exigências universais de Justiça, e outra, encoberta, que consagra privilégios. Como resolver essa contradição?

Comparato - Essa duplicidade de ordens jurídicas corresponde ao caráter dúplice do nosso povo, em ambos os sentidos da palavra: duplicado e dissimulado. No fundo, é a generalização da velha mentalidade do senhor de casa grande. Quando ele vinha à cidade, elegantemente vestido, tratava a todos com afabilidade e polidez. Voltando ao seu domínio rural, porém, retomava incontinenti seu comportamento natural de mandachuva grosseiro e egoísta. No meu entender, as mentalidades sociais só se transformam lentamente, não por força das leis, mas pela educação. Acontece que na hodierna sociedade de massas, a educação social e, por conseguinte, a mudança da mentalidade coletiva, faz-se sobretudo pelos meios de comunicação de massa: a imprensa, o rádio, a televisão e a internet. Ora, salvo esta última, os demais meios de comunicação social acham-se, neste país, submetidos a um oligopólio empresarial, que tem, ele próprio, esse caráter dúplice: exteriormente, defende a liberdade de expressão; mas na realidade apropria-se dos canais de comunicação públicos, isto é, pertencentes ao povo, para a defesa dos seus interesses privados.

O senhor também afirma que "a democracia representativa no Brasil é um embuste". Por quê?

Comparato - Porque o mundo da política, neste país, é um teatro, em que os eleitos não representam o povo, mas representam (o seu papel teatral) perante o povo, colocado na plateia. Nas eleições, o povo tem o direito de escolher alguns atores, mas não as peças a serem representadas. E os atores prestam mais atenção às instruções vindas dos bastidores, onde se alojam os "donos do poder", do que aos eventuais protestos dos espectadores. Para superar esse embuste, é indispensável criar mecanismos constitucionais que possibilitem o surgimento de uma soberania popular efetiva, em lugar da meramente retórica que temos hoje. Penso na aprovação direta pelo povo da Constituição e de suas emendas. Até hoje, o Congresso já emendou 70 vezes a Constituição de 1988; o que perfaz a apreciável média de mais de três emendas por ano. Mas em nenhuma dessas ocasiões o povo foi consultado para dizer se aprovava ou não tais emendas. Penso também na realização de referendos e plebiscitos sem autorização do Congresso Nacional (como exige absurdamente a Constituição Federal em seu art. 49, inciso XV). Penso na introdução do recall ou referendo revocatório de mandatos eletivos. Tais propostas estão na parte final do meu livro. Acrescento ainda o orçamento participativo obrigatório e as ouvidorias populares, inclusive no controle do funcionamento administrativo dos órgãos judiciais.

Há, também, um capítulo com homenagens a Luiz Gama, Evandro Lins e Silva e Antonio Candido. Por que a escolha desses três nomes?

Comparato - Porque cada uma dessas personalidades de escol encarnou, pela sua vida exemplar, um modelo de Justiça. Esses homens ilustres devem, pois, ser venerados e seguidos pelas novas gerações de brasileiros.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Fórmula 1


Faz tempo que eu não posto aqui sobre fórmula 1. Não me empolga mais. Na verdade desde o Senna não me empolga mais. Mas tem piorado. Hoje nem vi a corrida, só vi quem ganhou.

Um dos motivos que me levavam a isso é a falta de emoção. As corridas andavam muito previsíveis. O cara largava em primeiro e se não batesse ou a equipe fizesse besteira ganhava. O hoje em dia melhorou um pouco. Mas nada que me faça querer acompanhar de novo.

Mas o pior de tudo é essa mania de querer fazer os outros de palhaço! Todo ano tem pelo menos uma história de manipulação de resultado. E o pior é no final ninguém ser punido. O mais incrível é que já estão até querendo autorizar um piloto da equipe deixar o outro passar. Ridículo!

Era mais fácil torcer para a seleção do Dunga do que ver corrida hoje em dia!

domingo, 14 de novembro de 2010

Frase da Semana

"O sábio, com suas boas qualidades de caráter, presta auxílio a todos e a tudo que o rodeia".

(China In Box)

Law & Order - Los Angeles


Acabei de ver o piloto do novo spin up de Law & Order. Este novo seriado se passa em Los Angeles e tem um ritmo mais leve e ensolarado do que os outros 3, que se passam em Nova Iorque.

Gostei deste primeiro episódio. Nada que fosse espetacular, mas temos que dar uma chance para os próximos. Me pareceu que Law & Order foi temperado com um pouco de CSI Miami!

Mas para quem gosta de seriados de polícia/direito acho que vale a pena tentar. 

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Frase da Semana


"Rara felicidade deste tempo, onde é permitido pensar o que se quiser e dizer o que se pensa."


"Os homens apressam-se mais a retribuir um dano do que um benefício, porque a gratidão é um peso e a vingança, um prazer."


"Os chefes são líderes mais através do exemplo do que através do poder."


"A marca do escravo é falar a língua dos seus amos."


"A sinceridade e a generosidade se não forem temperadas com moderação conduzem infalivelmente à ruína."


"Muitos dos que parecem estar lutando contra a adversidade são felizes; muitos, em meio a grande afluência, são totalmente infelizes."


"Até no melhor dos homens, o desejo da glória permanece mais tempo do que qualquer outra paixão."

Públio (Caio) Cornélio Tácito (em latim Publius (Gaius) Cornelius Tacitus) ou simplesmente Tácito, (55 - 120 d.C.), historiador romano, foi questor, pretor (88), cônsul (97), procônsul da Ásia (aproximadamente 110-113) e orador.